Ramal 340: sobre a migração das sardinhas ou porque as pessoas simplesmente vão embora (indicado em todas as categorias do Prêmio Açorianos de Teatro 2016 recebendo os prêmios de Melhor Espetáculo, Melhor Figurino e Melhor Cenário), com direção de Jezebel De Carli e dramaturgia original de Francisco Gick, trama fragmentos de narrativas de viagens, despedidas e encontros, num fluxo veloz e não linear de acontecimentos que concorrem no tempo-espaço do Ramal. “Nada se fixa, as coisas simplesmente passam umas pelas outras e acontecem pequenos choques, faíscas”, diz uma Atriz, logo no começo. São seis histórias envolvendo pessoas espalhadas no espaço e no tempo do mundo, pessoas ligadas pelo movimento, pelo desejo, pela falta ou simplesmente pela completa incompreensão sobre a própria experiência. Seis histórias que se encontram, dobram-se umas sobre as outras e multiplicam compondo uma história sobre como a vida se transforma completa e inesperadamente e, de repente, você se vê num aeroporto ou rodoviária ou estação de trem, com uma mala na mão, esperando… uma história sobre um mundo onde lugares, lados e identidades estão em constante desfazimento-fazimento, sobre movimento.

“Agora, no mundo, existem, pelo menos vinte guerras acontecendo. Em vinte lugares diferentes do mundo tem grandes quantidades de pessoas matando umas as outras. São quarenta lados, e eu não sei qual é o nosso”, diz Sam para Raphaela, em algum momento da peça, ele espera o cadáver do pai, ela corre em direção a alguém que ama. Histórias que só se encontram porque são contadas, seis que viram quinze e talvez centenas, porque teatro é espaço de convívio e compartilhamento.

Ramal 340 é o ponto de convergência de três anos de pesquisa, pensamento e ação do Errática, a partir da inquietação coletiva com a forma como vivemos juntos, a velocidade, a fragmentação e o fluxo humano permanente, o bombardeio incansável de imagens e a sensação de falta de lugar no mundo. A peça, no entanto, não quer concluir qualquer coisa, ela é um pensamento que se move no espaço, uma pergunta, um convite.

Direção: Jezebel De Carli; Dramaturgia: Francisco Gick; Elenco: Diogo Rigo, Francisco Gick, Guega Peixoto, Gustavo Dienstmann, Mani Torres, Nina Picoli; Cenografia: Rodrigo Shalako; Figurino e Adereços: Gustavo Dienstmann; Maquiagem: Gustavo Dienstmann; Iluminação: Lucca Simas e Bruna Immich; Trilha Sonora Original: Josué Flach; Trilha Sonora Pesquisada: Jezebel De Carli; Identidade Visual: Didi Jucá; Material Gráfico: Francisco Gick, Luan Silveira; Registro Fotográfico: Adriana Marchiori, Mayara Lima Breitembach; Duração: 80min; Classificação: 16 anos; Direção De Produção: Guega Peixoto; Produção Executiva: Guega Peixoto, Francisco Gick; Realização: Coletivo Errática.

 Financiamento

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